
O pequeno Príncipe (Agir, 2006, 94 págs.) gerou uma tsunami de lágrimas que varreu o planeta, desde que foi lançado pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. O poder desse relativamente pequeno manuscrito é assustador: intelectuais se sentem extremamente desconfortáveis olhando para o garotinho louro cuja aparência é uma síntese de todos os símbolos "burgueses" da ternura: cachecóis, pantalonas, sapatinhos delicados, bochechas rosadas, cabelos louros levemente desarrumados; anjinho, em suma. Principezinho. E de lambuja todo o simbolismo do sentimentalismo explícito, aquelas flores, aquelas estrelas, a solidão, o vento, suspiros, a morte que rodeia em silêncio um amor puro (sic) que não terá tempo de se realizar, a gente pressente, não terá outra chance. Mas o texto é bom. É infernalmente bom, é uma areia movediça. A gente afunda fácil. A única alternativa para não ser absorvido é ler depressa, passando os olhos e mantendo em mente que aquilo é piegas mas, se vacilar, se abrandar a marcha, o piegas nos pega.
Assino embaixo!
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